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Textos
O Andarilho Ele andava pelas ruas Despertando compaixão. Maltrapilho, com as costas nuas. Tinha uma cicatriz na testa Em forma de coração. Era um vivente feio Gostava de confusão. Bebia além da conta Brigava com todo mundo Que nem cachorro ladrão Não sabia seu nome E nem aonde nasceu Juntava muitas porcarias Latas velhas, garrafas e Papelão Na cidade, de repente, apareceu. Ninguém o conhecia Não tinha documentação Não tinha família nem amigos Falava sozinho consigo mesmo Ou talvez com uma assombração Servia de chacota pra gurizada Andava devagar, olhando pro chão Não incomodava ninguém Comia o que lhe ofertavam Qualquer coisa, leite, restos de pão E assim ia vivendo aquele sujeito Ninguém conhecia sua dor Se vivia triste ou satisfeito Ignoravam a sua origem Se sofria de saudade ou por amor O tempo foi passando de chofre Até que alguém chegou de supetão Procurava apreensivo e saudoso Por alguém da sua família Que sofria de amnésia e depressão Quando o viu ali naquela rua Não suportou a emoção Caiu de joelho a sua frente Beijou suas mãos sofregamente E ali mesmo pediu perdão!
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Rubens Silva |
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Publicado em 06/03/2009 às 14h45
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