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Textos
Crueldade IV – Vestígios de dor!
Há dias venho remoendo e tentando esquecer o que vi. Não consigo. Soube da história por acaso. Tomei uma moto taxi para o centro da cidade quando o condutor me falou: - Encontraram um cadáver lá perto do Cedro. Ninguém sabe quem é. - É mesmo? Para onde o levaram? Você sabe? – perguntei. - Não sei. Parece-me que o levaram para o Necrotério do Hospital. – Respondeu-me o taxista. Hoje em Santana temos um Necrotério com todos os equipamentos necessários para tratamento de corpos das pessoas falecidas. Busquei informações dos que souberam do ocorrido, mas o medo de se comprometerem ou de sofrerem represálias por parte dos autores do crime parecia evidente. Nessas ocasiões aqui no interior é melhor ficar quieto. Como dizem os próprios baianos: - “Deixa quieto!” Interessado na matéria como jornalista, convidei o moto taxista para indicar-me algum colega seu que soubesse onde o corpo foi encontrado. Cheguei à praça do calçadão encontrei um rapaz que disse ter ido lá antes com alguns colegas para ver o trabalho da Polícia Militar. No local pude verificar apenas os vestígios do crime. Rastros de motos. Lata de cerveja. Um copo de vidro. Marcas de sangue no arame da cerca. Um pedaço de madeira que talvez tenha sido usado para bater na vítima. Imaginei testemunhas mudas do ocorrido. As árvores. As folhas. As flores. A grama. A areia. Enfim muitas testemunhas todas mudas. Lamentavelmente. Fiquei imaginando o sofrimento dessa criatura. Imobilizada talvez. Agredida com pau. Com tapas e pontapés. Submetida a agressões torpes. Cruéis. Insuportáveis. Por fim um tiro na nuca. Só ficaram os vestígios da dor. Vingança! Cobrança de dívida de traficantes! Quem cometeu esse crime? Qual a razão que leva “pessoas” que se dizem “humanas” a cometerem tamanha crueldade? Que Deus os perdoe!
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Rubens Silva |
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Publicado em 05/08/2009 às 19h46
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