Rubens Silva

Contos, Crônica e Poesias - Fragmentos da minha vida

Textos

Andando & Divagando

Cinco da manhã. Depois de preparar o café para o meu pessoal, disso não abro mão, ponho meu tênis e pego meu MP4 e começo minha caminhada. Diariamente. Isso depois de um ritual diário de higiene pessoal e necessidades indispensáveis. Não fazia isso até bem pouco tempo. Mas, depois de dois ou três sustos com crises de hepistaxe, tenho que tomar isso como hábito. E saio andando, caminhando, ouvindo músicas dos anos sessenta, clássicas, gaúchas e principalmente italianas. Adoro música italiana.
Ando para melhorar minha condição física. Para me sentir bem. Para pensar. É bom pensar andando. É melhor andar pensando. Bem cedinho, a cidade toda dormindo. Transito livre e tranquilo. Ar puro. Fico pensando o que cada pessoa tem na cabeça. Qual seu destino, suas esperanças e sonhos. Procuro sentir a vibração do pensamento desses transeuntes que vão para um lado e para outro. Seus amores, suas dores, labores e angústias.
É o lavrador que montado no seu cavalo, chapéu de couro na nuca. Facão marca formiga na bainha. Enxada no ombro. Fumando seu cigarro enrolado em papel de embrulho. Talvez imaginando como encontrará sua lavoura? As formigas estão cortando o milho e as folhas da mandioca que está nascendo. O que será que vai fazer?
É o seu Antonio que carrega vários litros de leite numa caixa de madeira. Vai conseguir vender todo o conteúdo das garrafas Pet para seus fregueses? E a sua vaquinha com pouca alimentação vai conseguir produzir leite suficiente para pagar suas contas no final do mês? Os pensamentos voam. A música acalenta meus pensamentos. Meus sonhos. Minhas divagações.
Penso como vou resolver minhas pendências. Minha mãe que mora tão longe. Vou conseguir vê-la este ano? Minha irmã que adotou uma menina está feliz. Preciso conhecer. Meus pensamentos voam. A vida flui. Continuo caminhando. Vou andando e pensando. E quem não pode andar? O doente no hospital. O prisioneiro cumprindo pena. O cego que não pode ver! O cadeirante que não pode subir a escada da igreja. O surdo que não ouve as minhas músicas. Obrigado Deus!
Como é bom Andar... Divagar!

Rubens Silva

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Publicado em 07/12/2009 às 22h18


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